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Recapagem de pneus - uma solução socioambiental
 

Atualmente, a abordagem socioambiental, ou seja, a interação das questões sociais ao meio ambiente são temas geradores de muitas inquietações na área industrial. Com isso, muitos projetos estão sendo desenvolvidos direcionados às áreas de reciclagem, separação e redução de resíduos, e em formas de reutilização de diversos materiais não biodegradáveis, como o pneu. Este artigo fala sobre uma das atividades pioneiras de reaproveitamento, além de cada passo do processo de recapagem de pneus, que se praticada, poderá trazer muitos benefícios no âmbito socioambiental.

O pneu surgiu juntamente com a Revolução no setor dos transportes, que ocorreu no século XIX. O invento veio da necessidade de substituir as rodas de madeira e ferro usadas em carroças da época.

Porém, o grande advento do pneu trouxe consigo a problemática socioambiental. O fato é que a maioria dos pneus estão sendo abandonados em locais inadequados, interferindo negativamente na qualidade de vida da população e no ecossistema.

Uma forma encontrada para amenizar esse impacto é a utilização de metodologias de reciclagem e reaproveitamento. Entre essas medidas, a recapagem é um mecanismo bastante utilizado para combater o descarte incorreto de pneus usados.

A alternativa de recapar pneus, faz com que a empresa reformadora adote estratégias de desenvolvimento econômico aliado à preservação ambiental. É um processo criativo humano para gerir novas possibilidades produtivas, inserindo valores e hábitos que estabelecem sinergia no âmbito social, ambiental e tecnológico.
Segundo dados de informativos técnicos, o processo de recapagem de pneus, em que a camada superior da banda de rodagem é reposta e vulcanizada, permite aumentar a vida útil do pneu em 100% e proporcionar uma economia de 80% de matéria-prima em relação à produção de pneus novos. Além disso, a atividade de recapagem utiliza energia limpa em seu processo, ou seja, não gera efluentes líquidos e não polui o ar, os resíduos sólidos gerados são 100% recicláveis. É uma atividade pioneira em termos de reciclagem, gerando milhões de novos empregos e movimentando uma indústria que não para de crescer.

Conforme dados técnicos, o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial de recauchutagem de pneus (processo de reforma completa do pneu, no qual a recapagem está inserida). Reforma cerca de 15 milhões de pneus por ano, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, que atinge a casa dos 18 milhões de unidades, só para o setor de transportes.

 Como funciona o processo de reforma

 

Os pneus, ao chegarem à reformadora, são, ainda durante o recebimento, submetidos a uma inspeção inicial, que é de extrema importância para realizar um serviço de qualidade, além de diminuir os custos de produção e controlar o material que entra na empresa. Durante a etapa de inspeção é feita uma limpeza no pneu para facilitar a avaliação e manter limpos os sucessivos setores da reformadora.

O pneu, então, passa por um exame preliminar para selecionar as carcaças que estejam em condições de reforma ou conserto.

Algumas carcaças de pneus acabam não passando da inspeção inicial por apresentarem danos que limitam a sua vida útil, são chamados pneus inservíveis. Os quais por sua vez, através da própria reformadora, ganham um destino ecologicamente correto.

Alguns requisitos são necessários para que o pneu possa ser recapado, são eles:
• A estrutura geral de uma carcaça não deve apresentar cortes nem deformações;
• A banda de rodagem deve ainda apresentar sulcos e saliências que permitam sua aderência ao solo;
• A carcaça não deve apresentar sinais de desgaste excessivo das bandas, com cinturas ou lonas expostas, nem sinais de contaminação com óleo, graxa ou ácidos, tão pouco sinais de envelhecimento natural.

Após a inspeção, o pneu vai para um torno, onde é realizado o desbaste da banda de rodagem. O objetivo é remover a parte remanescente da banda já desgastada, deixando a carcaça limpa, com textura, dimensões e simetrias corretas, seguindo um padrão de reforma, para proporcionar uma ótima aderência à nova banda. Além disso, nesta fase prepara-se o pneu para dar-lhe condições de processamento e para que se obtenha o resultado esperado em serviço.

Depois de raspado, todos os danos pontuais são tratados para eliminar toda e qualquer contaminação. Caso exista alguma escareação, ou seja, perfuração que afete as lonas da carcaça, a reparação é realizada utilizando manchões (espécie de plaqueta de borracha), que devolvem a região avariada a resistência original da carcaça. Os maiores índices de problemas na reforma de pneus se devem a esta fase do processo, pois é necessário certificar-se de que as escareações não ultrapassam os limites máximos permitidos para conserto.

O próximo e último passo é reconstruir o pneu, ou seja, aplicar uma nova banda de rodagem à carcaça. Nesta fase opta-se por dois caminhos, através da vulcanização do pré-curado, dito sistema frio, ou através da vulcanização do camelback, dito sistema quente.

Na recapagem pré-moldada, conhecida como reforma a frio, usa-se bandas derodagempré-curadas, ou seja, a banda aplicada no pneu já vem com os sulcos desenhados de fábrica. Os pneus já montados com a nova banda de rodagem são dispostos e vulcanizados ao mesmo tempo, por meio de uma autoclave. Os pneus maiores são colocados primeiro para garantir uma perfeita circulação de ar quente dentro do equipamento.

O processo a frio, apesar de receber calor da autoclave, leva este nome por trabalhar com uma temperatura mais baixa, por volta dos 100°C, porém com um tempo maior.

Já no processo a quente, a borracha aplicada no pneu é lisa, esse composto é chamado de camelback. Os sulcos são desenhados nos anéis de vulcanização, um a um, em equipamentos (prensa mecânica para vulcanização) de três ou seis setores da própria empresa. O objetivo é transformar o camelback e as bordas de enchimento do estado plástico para o elástico (vulcanizar) e estampar a nova banda de rodagem. Neste processo, a temperatura de trabalho é em torno de 160°C em um menor tempo.

Para garantir que o pneu reformado esteja em conformidade com o padrão, ele é novamente inspecionado com os mesmos critérios e meios utilizados na inspeção inicial e em todas as fases do processo. Esta é a última oportunidade que o setor da reformadora tem para corrigir falhas ou imperfeições antes que esse pneu retorne definitivamente ao usuário final. Em caso de defeito o pneu é reprocessado.

 

Conclusão

 Uma boa manutenção dos pneus de uma frota pode reduzir mais de 50% do custo inicial do pneu de carga. A recuperação de um pneu usado com a carcaça em boas condições consome menos de 1/3 das matérias-primas necessárias para a produção de um pneu novo.
Reformar pneus custa em média 30% do valor de um novo e atende as mesmas exigências de segurança. Isso significa redução de custos para as empresas e tranquilidade para os usuários.

A reforma de pneus também traz vantagens para o meio-ambiente, evitando que toneladas de borracha sejam despejadas na natureza. Reformar pneus economiza até 80% de petróleo e contribui para amenizar o fenômeno do aquecimento global.

Para a sociedade, os benefícios são revertidos em forma de trabalho. O segmento de reforma brasileiro emprega hoje mais de 160 mil pessoas direta e indiretamente.

Num país de dimensões continentais como o Brasil, onde absurdamente, mais de 65% da movimentação das cargas são feitas por rodovias, a indústria de recapagem de pneus assume uma posição de destaque e de muita importância, movimentando bilhões de dólares/ano, posicionando-se como uma das mais modernas do mundo.

Com a consolidação dos valores socioambientais aliados à tecnologia, e a relaçãointeligente da sociedade com o planeta é possível estabelecer um equilíbrio entre as necessidades de desenvolvimento e o meio ambiente, permitindo que as gerações futuras tenham suas necessidades econômicas e ambientais atendidas.

 

Artigo cedido e elaborado por:
Camila Taliotto - Formada no Curso básico em Tecnologia dos Elastômeros - 31ª Edição - SENAI - CETEPO, Técnica em Química pela UFRGS, cursando Engenharia Química pela PUCRS.
Eva Maitê Machado - Instrutora de Educação e Tecnologia SENAI - CETEPO, Técnica em Química formada pela Fundação Escola Técnica Liberato, Química formada pela Universidade Luterana do Brasil, Pós-Graduanda em Educação Socioambiental - Centro Universitário Feevale.

 

 

                 
 

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